G.B.D. para todos - Parte I
Sempre fui da teoria de que ninguém é feliz em praia lotada. Ninguém, exceto dois personagens: Iemanjá, todo dia primeiro do ano. E vendedor clandestino de queijinho coalho, nos outros 364 dias que restam. Fora isso, ninguém sequer chega perto da felicidade. Ela mora longe.
E eu, que já tinha argumentos pra sustentar essa teoria, agora consegui o definitivo. Aquele que desempata qualquer discussão. Por incrível que pareça, pela primeira vez na vida, tenho certeza do que estou falando: praia lotada não dá. Lá não acontece o que aconteceu comigo. Lá eu não vou.
Entretanto, qualquer um que vivenciasse essa história, ficaria literalmente entre a cruz e a caldeirinha. Se eu contar como ela aconteceu, você vai me chamar de mentiroso. Por outro lado, se eu omitir, serei crucificado como egoísta por não ter compartilhado a descoberta. Dúvida de autor, é azar de leitor meu querido. Vamos a ela.
Praia deserta. Você naquele conhecido estado de espírito “numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo...”. Um cenário fantástico. Você no paraíso, meu chapa. Simplesmente ali, inserido pelo photoshop da vida, naquela foto de catálogo digna de agência de turismo. Lá estou, vivendo a vida como realmente deve ser: praia, sol, mar, um bom livro e a tão sonhada paz.
Até ai, nada de estranho nessa história. Tudo segue calmo. Até demais. E isso gera desconfiança. Principalmente em mim. Frenético desde criancinha.
Tento fugir do marasmo. Do “nada pra se fazer nessa porra dessa praia deserta”. Vou até o mar em busca aventura. O melhor?
Encontro-a.
Vejo uma lata prateada na beira da água. Um espécie de lata de Nescau sem o rótulo. Lacrada, com as seguintes iniciais: G.B.D.
Fico curioso.
Puxo um canivete suíço do bolso da sunga ( é absurdo, mas a história é minha).
Abro a lata.
E assim, que de repente...
Estou falando, de repente mesmo. Do nada. Um puta de um susto.
Surgi um clarão imenso. Acompanhado de um baita estouro agudo.
Escrito por Bruno Varalli às 14h21
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