Mostra tua cara
Tomei vergonha na cara hoje. Prometo, só hoje. Fui até a biblioteca da ECA-USP. Pesquisar algo pro meu TCC. Atitude estranha, porém louvável. Ainda mais, porque não fui sozinho. Na batalha, me acompanhava o não menos polêmico e meu fiel escudeiro ´´Oscar Magrini``.
Pra surpresa geral. Fomos barrados. Como na maioria das vezes quando estamos juntos. Mais surpreedente, foi o motivo. Nada de normas ou preconceitos com atores globais em fim de carreira como de costume. Essa vez, o problema não era meu amigo Magrini.
O aviso, em letras animadas e coloridas, para alegrar nosso dia, dizia:
ESPECIALMENTE HOJE, POR MOTIVO DE FALTA DE FUNCIONÁRIOS, A BIBLIOTECA ESTARÁ FECHADA. AMANHÃ, RETORNAREMOS NOSSAS ATIVIDADES.
De barriga cheia, fico sem saber porque reclamo tanto da nossa situação. Brasil, um país de todos.
Escrito por Bruno Varalli às 02h21
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O Jardel era foda (parte 1)
Lembrei dessa história nesse fim de semana. No sábado à noite mais precisamente. Numa conversa informal no meio da balada, esqueci dela rápido. Mas, agora, são e salvo, ela não sai da minha cabeça. Hoje ela pode até ser motivo de píada. Mas pra mim, que vivencie de perto, ela sempre foi traumática.
Não faz muito tempo, e eu jogava no time de futebol do clube. E me lembro muito bem, que após uns anos em que eu já jogava lá, um novo reforço chegou. Lembro-me como se fosse hoje, a primeira vez que vi o Jardel no campo. Isso mesmo, um cara bem esquisito e muito, mas muito alto mesmo.
Na verdade, o nome dele não era Jardel. Esse era o apelido dele depois que ele entrou no campo, sem nenhuma ´´pinta de boleiro``, e disparou para espanto geral que era centroavante . Pra quem não sabe, o Jardel verdadeiro era um centroavante do Grêmio de Porto de Alegre. Ele joga até hoje, e suas características são bem definidas: uma vareta, exímio cabeçador e um grosso de primeira com a bola nos pés.
Portanto, por causa disso, criamos o nosso Jardel. Que em relação ao original, só tinha uma diferença básica. Além de ser ruim com a bola no pé, não fazia um gol de cabeça. Resumindo, ele era ruim de tudo, mas esforçado.
Mas não é só com a bola que o Jardel decepcionava. Ele realmente, conforme já disse, era um cara bem esquisito. Pra começar, era horroroso e totalmente desengonçado. Beirava a tontice. Vivia rindo que nem um retardado. De qualquer coisa mesmo. Você ia cumprimentar ele, e o bicho caia na gargalhada. E apesar de tudo isso, era um puta cara gente boa. Uma pena que eu perdi contato. E depois de escrever isso aqui, sinceramente, espero nunca mais ver ele.
E assim, através dessa figura, como protagonista, que presenciei uma das cenas mais inesquecíveis da minha vida. Era um campeonato lá no clube. Nada muito importante perto dos campeonatos que a gente jogava fora. Mas, como a bola tava rolando, a gente queria o caneco de qualquer jeito. Não me lembro exatamente qual era o adversário, que enfrentava o glorioso Paineiras do Morumbi, naquela ensolarada tarde de sábado. O que me recordo bem, é que estávamos perdendo o jogo por dois a zero. Com muita raça e esforço, conseguimos empatar o jogo. Mesmo assim, não era um bom resultado pra nossas pretensões no campeonato.
Escrito por Bruno Varalli às 02h54
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O Jardel era foda (parte 2)
O fato doloroso que o Jardel preparou, obviamente ficou pro final da partida. Quando o jogo tava dois a dois, e a gente correndo que nem louco atrás do terceiro gol. E ocorreu exatamente como manda o figurino, o script ou qualquer coisa do gênero. E também, como narra o Galvão Bueno: ´´Haja coração amigo``.
A cena lamentável, no máximo dever ter durado uns quinze segundos em real time. Mas na minha cabeça, ela já dura uma eternidade. Lembro que a jogada foi linda: um cara do meu time pegou a bola na ponta, balançou na frente do adversário, driblou uns dois zagueiros em direção ao gol, e quando o goleiro saiu em cima dele, ele fez uma tremenda de uma cagada. Passou a coitada da bola pro Jardel.
Totalmente livre, na frente da pequena área, sem goleiro e embaixo do gol, o Jardel recebeu a bola. Literalmente, tinha sido como se diz no futebol, um passe ´´açucarado``. E juro por tudo que é mais sagrado no mundo: era só fazê a porra do gol !!!!
Foi assim, neste contexto, que o Jardel ´´chutou`` a bola. Na verdade, a palavra chutou, aqui, não se encaixa adequadamente. Ele não chutou. Ele fez alguma inacreditável. Que tentando descrever, posso dizer que ele: soltou um canudo, deu um petardo, aplicou uma bomba, um canhão, rojão, foguete, rabo de arraia ou algo do tipo. Parece impossível, mas o Jardel perdeu o gol mais feito da história do futebol mundial.
Caprichosamente, ele chutou a bola por cima da trave. E naquele momento, impulsionado pelo extremo limite de raiva que uma pessoa atinge, eu acho que perdi os meus sentidos reais e qualquer espécie de discernimento que eu ainda tinha dentro de mim.
O que lembro perfeitamente, era o áudio daquela situação surreal. Uma situação como esta, só poderia trazer um outro marco na história mundial. O recorde de palavrões por minuto. Foi impressionante. Comprovei que o time realmente estava em dia com as prestações do carnê da boca suja.
O meliante, logo foi rodeado. O jogo, o time, o adversário e o clube pararam pra xingar o Jardel. Que por sua vez, ajoelhado, pálido e com as mãos sobre a cabeça ficou estatelado. E logo, sua primeira reação, numa profunda crise existencial, foi a de abrir um tremendo de um sorriso maroto.
Escrito por Bruno Varalli às 02h52
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